UM HOMEM QUE EU AMEI!

Irani Genaro



Pai!

O fresco vivo odor,
Cálido e penetrante,
Dos teus atos, me farão
Perpetuamente recordar
Tua maneira de ensinar. . .



Lembro-me ainda, da tua preocupação
Com minha saúde e segurança
Quando eu inda criança,
Na rua, queria brincar.



Nem sempre podia, eu sei!
Minhas crises de bronquite,
O obrigaram a ser rigoroso,
Muito embora fosse penoso
Ver-me sempre trancada em nosso lar.



Mas eu ficava na janela,
Lembra pai?
A criançada lá fora
Brincando de roda ou de bola,
E eu não podia brincar.



Às vezes às lágrimas
Rolavam em meu rosto.
O médico proibiu, eu sei,
Eu lembro bem das advertências:
Não me cansar,
Evitar ventos,
Não tomar sereno,
Não me molhar!



Pai!
Ainda lembro até do gosto do “Pirasma"
O remedinho nojento!
Mas me fazias tomar
Afinal, essa era uma das armas
Que aplacavam as crises de asma.



Quantas e quantas noites
Deixastes o aconchego das cobertas,
Pois alerta estavas sempre a me cuidar;
Mal eu começava a tossir
Eras tu quem vinha para me acudir,
A mamãe também era doente.



Ah! Se não fossem os teus cuidados,
A tua perseverança,
Provavelmente esta tua criança,
Não estaria mais aqui!



Sim pai! Eu sofri, tu sofrestes,
A mamãe também sofreu!
Porém o sacrifício valeu,
Eu me livrei da doença.



Hoje quero te dizer:
Obrigada! Papai querido,
Fostes meu melhor amigo,
Um dos homens que mais amei.